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A Igreja admirada pelo Batismo do Senhor
Caro Internauta, eis o meu presente para Festa de hoje: alguns versos incomparáveis de Romano, o Melódio, maior entre os poetas da Igreja oriental do século VI. Pretendo ainda colocar alguns outros no correr deste Domingo. Delicie-se com a admiração contemplativa da Igreja ante o mistério tão grande do Batismo do Senhor!
Hoje, Senhor, apareceste ao universo e tua luz brilhou sobre nós que, conhecendo-te, te cantamos: "Vieste, apareceste, ó Luz inacessível"!
Vendo-te na águas do Jordão, quando quiseste nele ser batizado, o grande Precursor exclamou com alegria, ó Cristo: "Vieste, apareceste, ó Luz inacessível"!
"Vencido por meu Coração, eu, o Misericordioso, vim até minha criatura, estendendo a minha mão para abraçá-la. Não te envergonhes diante de mim: é por causa de ti, que és nu, que me desnudo e recebo o batismo! O Jordão abre-se já para mim e João prepara minhas vias nas águas e na almas". Tendo assim falado ao homem, não em palavras, mas em atos, o Salvador veio, como dissera, e seus passos o levaram até o rio, aproximando-se do Precursor sob a forma de Luz inacessível.
Vendo o rio no deserto, o orvalho na fornalha, a chuva sobre a Virgem, o Cristo no Jordão, João foi tomado de medo, como seu pai tremeu diante de Gabriel. Nesta hora, aconteceram as maiores coisas que jamais aconteceram, nesta hora em que o Senhor dos anjos vinha a um servo para ser batizado. Por isso, o Batista, reconhecendo o Criador e medindo-se a si mesmo, disse, tremendo: "Para, Redentor! Basta-te isto! Não vamos mais longe! Eu sei que tu és a Luz inacessível!"
"Por que procuras estas águas? Que iniquidade queres lavar, tu que foste concebido e gerado sem pecado? Vens a mim, mas o céu e a terra espiam para ver se serei temerário! Tu me dizes: 'Batiza-me!', mas do Alto os anjos observam para me dizer no momento oportuno: 'Conhece-te a ti mesmo! Até onde irá tua audácia?' Como dizia Moisés, escolhe um outro, Senhor, para o que exiges de mim. Isto me supera e tenho medo! Eu te suplico! Como batizarei a Luz inacessível?"

Escrito por Pe. Henrique às 23h42
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Aquele que João apontou...
Dos Sermões de Santo Agostinho de Hipona (354-430), Bispo e Doutor da Igreja:
Escutai, filhos da luz, vós que fostes adotados em vista do Reino de Deus; escutai, caríssimos irmãos; escutai e regozijai-vos no Senhor, vós os justos, pois «aos retos de coração pertence o louvor» (Sl 33,1). Escutai o que já sabeis, meditai no que ouvistes, amai aquilo em que acreditais, proclamai aquilo que amais!
Cristo nasceu, Deus por Seu Pai, homem por Sua mãe; Ele nasceu da imortalidade de Seu Pai e da virgindade de Sua mãe. De Seu Pai, sem a participação de uma mãe; de Sua mãe, sem a de um pai. De Seu Pai, sem o tempo ; de Sua mãe, sem a semente. De Seu Pai, Ele é princípio de vida; de Sua mãe, o fim da morte. De Seu Pai, nasceu para reger a ordem dos dias; de Sua mãe, para consagrar este dia.
À Sua frente enviou João Batista, que fez nascer quando os dias começam a diminuir, tendo Ele próprio nascido quando os dias começam a aumentar, prefigurando deste modo as palavras desse mesmo João: «Ele é que deve crescer e eu diminuir». De fato, a vida humana deve enfraquecer em si mesma e aumentar em Jesus Cristo, «para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que neles morreu e ressuscitou» (2Cor 5,15). E para que todos nós possamos repetir estas palavras do Apóstolo Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gl 2,20).

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 08h50
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Palavra de Deus para a Festa do Batismo do Senhor
Leitura do Livro do profeta Isaías(Is 42,1-4.6-7) Assim fala o Senhor: 1"Eis o meu servo - eu o recebo; eis o meu eleito - nele se compraz minh'alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. 2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. 6Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas".
Salmo responsorial (Sl 28) Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!
Filhos de Deus, tributai ao Senhor, tributai-lhe glória e poder! Dai-lhe a glória devida ao seu nome; adorai-o com santo ornamento!
Eis a voz do Senhor sobre as águas, sua voz sobre as águas imensas! Eis a voz do Senhor com poder! Eis a voz do Senhor majestosa!
Sua voz no trovão reboando! No seu templo os fiéis bradam: "Glória!" É o Senhor que domina os dilúvios, o Senhor reinará para sempre!
Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 10,34-38) Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: "De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. 35Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. 36Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-Nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galiléia, depois do batismo pregado por João: 38como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele.
Aleluia, aleluia, aleluia! (Mc 9,6) Abriram-se os céus e fez-se ouvir a voz do Pai: Eis meu Filho muito amado; escutai-o, todos vós!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (Mc 1,7-11) Naquele tempo, 7João Batista pregava, dizendo: "Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo". 9Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galiléia, e foi batizado por João no rio Jordão. 10E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. 11E do céu veio uma voz: "Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer".
Escrito por Pe. Henrique às 08h43
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Estudo bíblico-catequético para o Batismo do Senhor
1. A Festa de hoje ainda faz parte do santo Tempo do Natal. => Recordemos que neste tempo, a Liturgia torna presente o mistério da Manifestação do Senhor: ele, Deus perfeito, apareceu entre nós como homem perfeito. Sem deixar de ser o que era (Deus), assumiu aquilo que não era (homem), para nos salvar: Filho de Deus, fez-se filho do homem para fazer dos filhos dos homens filhos de Deus. => Na noite do Natal ele se manifestou na fragilidade de uma criança; na festa da Sagrada Família contemplamo-lo realmente no dia-a-dia humano da vida familiar, submisso a Maria e a José; na solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, proclamamos que ele, nos braços da Virgem, é verdadeiramente Deus perfeito na forma humana, por isso chamamos Maria de Mãe de Deus; no Domingo da Epifania, juntamente com os magos, que eram pagãos, fomos adorar o Menino, guiados pela luz da sua estrela, pois ele se manifestou a todos os povos; agora, neste Domingo, vemo-lo manifestado pelo Pai no momento em que foi ungido pelo Espírito para começar sua missão pública. Assim, o Batismo de Jesus é uma das festas da Manifestação do Senhor e, portanto, está no ciclo do Santo Natal. => É após a festa de hoje que se devem retirar os ornamentos de Natal de nossas casas e das nossas igrejas.
2. O sentido espiritual desta festa é belo: => Jesus, entrando na fila dos pecadores - ele que não tem pecado (cf. Jo 8,46; Hb 4,15; 1Pd 2,22) - vem assumir nossos pecados, fazendo-se pecado por nós (cf. 2Cor 5,21). => Neste ato de humilhação já está anunciada a própria cruz: ele desce às águas e sobe, ungido pelo Espírito do Pai, como descerá às profundas águas da morte e subirá ressuscitado, pleno do Espírito do Pai. Àquele que se fez obediente até a morte, o Pai o glorificou e o ungiu com Espírito Santo e com poder! Leia Fl 2,5ss. => Mergulhando seu santo corpo no Jordão, Jesus santifica as águas, como preparação para o nosso sacramento do Batismo, que se iniciaria com a efusão do Espírito Santo após sua gloriosa ressurreição. Leia Jo 7,37-39.
3. Quanto ao batismo de João: => Não é o sacramento do Batismo: João batiza com água: aqueles que se reconheciam pecadores e desejavam começar um caminho de conversão para receber o Messias vinham até ele. Leia Mt 3,5-6. => João anuncia Aquele que batizará (= mergulhará) no Espírito Santo. Este é o Messias. Leia Mt 3,11. => É este o Batismo de Jesus: o sacramento do Batismo, que nos mergulha no Espírito do Filho e nos faz filhos no Filho, pois recebemos o Espírito do Filho que em nós clama "Abbá, ó Pai!" e nos faz novas criaturas, participantes da natureza divina! Leia: Rm 8,15; Gl 4,6; 2Pd 1,3-4. => O sacramento do Batismo somente começou a ser administrado após a Ressurreição do Senhor, quando ele doou o Espírito à sua Igreja. Veja como os Apóstolos foram batizados no Espírito. Leia Jo 20,19-23. Veja como só há um Batismo no cristianismo: leia Ef 4,5. Veja como o sacramento do Batismo, que nos lava, dá o Espírito Santo: leia Tt 3,5-7.
4. Quanto à primeira leitura, observe: => Este é o primeiro dos quatro cânticos do Servo Sofredor. Se quiser conhecer os quatro cânticos, que falam de um misterioso Personagem que salvará Israel e o mundo pelo sofrimento, leia Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-11; 52,13-53,12. => Compare o primeiro versículo deste primeiro cântico com o que o Pai diz ao ungir Jesus no Jordão: no cântico, Deus diz: "Este é o meu Servo no qual se compraz a minha alma; pus meu Espírito sobre ele"; Em Mt 3,17, o Pai diz: Este é o meu Filho amado"... e derramou sobre ele o Espírito Santo. O sentido é claro: Jesus é não só o Servo, mas é o Filho amado e, no entanto, sua missão será no sofrimento e na humilhação, como anunciado nos quatro cânticos do Servo Sofredor! => Releia a primeira leitura: ela fala, portanto da missão de Jesus, que hoje é manifestado a Israel.
5. Vamos ao evangelho de hoje: => João anuncia Aquele que vai batizar no Espírito Santo. João batizava com água, com um batismo que recorda as cinzas do início da Quaresma: recebia-se o batismo de João como sinal de arrependimento e preparação para receber o Messias. O Messias (= ungido) será cheio do Espírito Santo. Este Espírito, após a ressurreição, ele derramaria sobre seus discípulos: como já vimos acima, trata-se do sacramento do batismo que, através do símbolo da água, nos mergulha (= batiza) no Espírito Santo. => Batizado, o Pai derrama sobre seu Filho o Santo Espírito para que ele comece publicamente a sua missão de Messias (= Ungido pelo Espírito de Deus). Leia Jo 1,33. => Por que o Espírito aparece na forma de uma pomba? Compare com Gn 8: (a) Uma nova humanidade sai da água; Jesus sai da água; (b) Uma pomba aparece com um ramo de oliveira no bico (da oliveira faz-se o óleo para a unção, símbolo do Espírito Santo; no Jordão, o Espírito aparece na forma de pomba. (c) Conclusão: Com Jesus irá começar uma nova humanidade, agora não lavada/batizada na água, mas no Espírito Santo!
6. Releia a segunda leitura: => Aí aparece o batismo de Jesus no Jordão como o marco do início da sua atividade pública. Ele começou sua missão de salvação desde que se encarnou no seio da Virgem, mas somente manifestou tal missão a partir do batismo no Jordão. => Observe a expressão: "Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder". O significado é: Jesus foi ungido com o Espírito de Poder. Este poder que repousa sobre Jesus é o próprio Espírito Santo. Leia Lc 1,35 e compare. => É no Poder do Espírito Santo que Jesus "andou fazendo o bem e curando a todos"; é que o Espírito do Pai permanecia nele. Leia Jo 1,29-34 e Lc 4,14-19; 6,19. Atenção: esta Força é o Espírito Santo, que repousa em Jesus!
Escrito por Pe. Henrique às 08h39
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Provavelmente, ele existe!
Caro Internauta, leia esta notícia:
"Provavelmente não existe Deus. Pare de se preocupar. Curta a vida" é o que diz o slogan de uma campanha de um grupo ateu que deve começar a circular em Barcelona nas próximas semanas. Inspirado em uma ação com o mesmo propósito em Londres, a campanha já foi criticada pelo arcebispo catalão, Dom Luís Martínez Sistach, que retrucou: "a fé na existência de Deus não é motivo para preocupação e tampouco é um obstáculo para aproveitar verdadeiramente a vida".

Agora leia esta outra:
Uma organização britânica cristã protestou nesta quinta-feira perante a autoridade que regulamenta a publicidade após o lançamento nos meios de transporte públicos do Reino Unido de uma campanha atéia que proclama «provavelmente Deus não existe» e pediu provas que confirmem tal afirmação.
A campanha atéia, exposta em 800 ônibus do país, assim como no Metrô de Londres, foi lançada ao início de janeiro com o apoio da Associação Humanista Britânica (BHA) e foi financiada por mais de 140 mil libras (cerca de 150 mil euros). O slogan completo da campanha, que também deverá ser promovido em menor escala na Espanha, é «Provavelmente Deus não existe. Deixa de preocupar-te e desfruta a vida».
Stephen Green, diretor nacional da associação "Christian voice", apresentou uma denúncia à Advertising Standards Authority (ASA), argumentando que a campanha viola o código da publicidade por ser enganosa, dado que carece de fundamento.
Segundo seu regulamento, a ASA estabelece que «a publicidade não pode desorientar os consumidores. Isto significa que os anunciantes devem ter provas que demonstrem o que anunciam sobre seus produtos ou serviços antes de que apareça o anúncio».
Segundo Green, esta publicidade viola o código publicitário, «a não ser que os anunciantes demonstrem que provavelmente Deus não existe». Segundo o denunciante, os promotores da campanha não podem desculpar-se dizendo que se trata de uma «questão de opinião», «pois nenhuma pessoa ou entidade firma a declaração. Apresenta-se como uma declaração de fato e isto significa que deve ser capaz de ser provada, do contrário se rompem as normas».
Um porta-voz da ASA declarou que a autoridade aceitou a denúncia. «Nós a avaliaremos nos próximos dias e, a partir desta avaliação, decidiremos se é necessário contatar o anunciante», afirmou.
Observações minhas:
1. Se Deus não existe, é estranho que esse pessoal ateu raivoso se preocupe tanto com ele. O danado de bom é que essa gente passará, será esquecida, e Deus continuará atraindo, encantando e despertando o que há de melhor no coração humano, sendo espinho ou favo de mel no coração dos homens e do mundo. Tanto Deus é real que incomoda, que faz esse pessoal desembolsar dinheiro para tentar combatê-lo. Seria um contrassenso combater com tanto vigor algo que, simplesmente, não existe!
2. Note a irresponsabilidade dessa gente: o anúncio começa com um "provavelmente". Em primeiro lugar é exatamente o contrário: usando somente a razão, pode-se dizer com tranquilidade que, provavelmente, Deus existe! Em segundo lugar, ainda que fosse verdade que provavelmente Deus não existisse, note que nem os ateus têm certeza disso. Então, como já lembrava Pascal - mais inteligente que essa gente toda -, é necessário viver como se ele existisse, porque, em existindo de verdade, haveremos de dar contas a ele da nossa vida. Se se deve apostar, o sensato é apostar que ele existe!
3. Esses ateus tolos querem passar a idéia de que a crença em Deus impede o homem de aproveitar a vida! O que entendem por viver bem a vida, por aproveitá-la? Note, meu Leitor, o tom de irresponsabilidade, de vulgaridade, de superficialidade dessa gente. Coração vazio, cabeça vazia, inteligência torta... Quão infelizes devem ser essas pessoas!
4. Ainda que Deus não existisse, o homem deveria viver com responsabilidade, respeitando limites e se propondo ideais. Parece que o pessoal do anúncio não sabe disso. Por outro lado, pensando bem, a melhor garantia de que o homem levará sua vida e a vida dos outros a sério é, precisamente, a consciência de que Deus existe. Como diz Bento XVI, os ateus também devem viver como se Deus existisse! Deus é o fundamento último de toda norma moral e de todo valor perene! Sendo assim, até esses ateus bobocas dão testemunho do Senhor Deus!
Categoria: Fatos
Escrito por Pe. Henrique às 21h50
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As mãos do Salvador
Dos Sermões de Santo Antônio de Pádua (1195-1231), franciscano do século XIII, Doutor da Igreja:
«Jesus estendeu a mão e tocou-lhe, dizendo: «Quero, fica purificado»». Oh, como admiro esta mão! Esta mão do meu Amado, de ouro engastado de rubis (Ct 5,14). Esta mão cujo contato solta a língua do mudo, ressuscita a filha de Jairo (Mc 7,33; 5,41) e purifica o leproso. Esta mão da qual o profeta Isaías nos diz: «Todas estas coisas fez a Minha mão» (66,2).
Estender a mão é dar um presente. Ó Senhor, estende a Tua mão - essa mão que o carrasco estenderá sobre a cruz. Toca o leproso e concede-lhe essa graça. Tudo aquilo em que a Tua mão tocar será purificado e curado. «E tocando na orelha do servo», diz São Lucas, «curou-o» (22,51). Estende a mão para conceder ao leproso o dom da saúde. Ele diz: «Quero, fica purificado» e imediatamente a lepra se cura; «faz tudo o que Lhe apraz» (Sl 113B,3). NEle nada separa o querer do realizar.
Ora, esta cura instantânea opera-a Deus cada dia na alma do pecador pelo ministério do sacerdote. Este tem um triplo ofício: estender a mão, quer dizer, rezar pelo pecador e ter piedade dele; tocar-lhe, consolá-lo, prometer-lhe o perdão; querer esse perdão e dar-lho através da absolvição. Tal é o triplo ministério pastoral que o Senhor confiou a Pedro, quando lhe disse por três vezes: «Apascenta as Minhas ovelhas» (Jo 21,15-17).

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 21h21
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Um livro comovente e desafiante
Por falar em livro, não posso deixar de recordar-lhe, meu caro Leitor, um livro que já indiquei antes, mas é sempre atual e sempre recomendável: "Todos os caminhos vão dar a Roma". É um livro simplesmente comovente e fantástico: conta a conversão de um pastor protestante e sua esposa ao catolicismo. Hoje, o Dr. Scott Hahn é professor de teologia católica em São Francisco, na Califórnia e sua esposa, Kimberly Hahn é uma convicta e atuante fiel católica, que trabalha ativamente em favor da família. É um livro que deveria ser dado de presente a todo protestante sincero e a todo católico tentado a ser arrastado pelo protestantismo...
Escrito por Pe. Henrique às 23h33
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Um grande cientista testemunha a fé...
Caro Leitor, para quem acha que ciência e fé são inconciliáveis, recomendo a estimulante leitura do livro "A linguagem de Deus" do Dr. Francis S. Collins, Diretor do Projeto Genoma. Há nele páginas realmente comoventes... Quando alguns cientistas bobocas dizem bobagens sobre Deus e a religião, as páginas dessse livro, de um cientista de primeira linha, não deixam de ser instigantes! É um livro para ser lido pensando na proposta de Bento XVI, de uma ciência que não deve ter medo nem preconceito de se perguntar sobre a questão de Deus. É uma outra sugestão para umas férias fecundas!
Escrito por Pe. Henrique às 23h22
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Um livro que não pode ser ignorado
Caro Internauta, eis uma ótima leitura para estas férias: "Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental", do Professor Thomas E. Woods Jr, Ed. Quadrante. Eis, abaixo, algo mais sobre o livro:
Se perguntarmos a um estudante universitário o que sabe do contributo da Igreja Católica para a sociedade, a sua resposta talvez se resuma a uma palavra: "opressão", por exemplo, ou "obscurantismo". No entanto, essa palavra deveria ser "civilização".
O autor destas páginas, Thomas Woods, doutorado pela Universidade de Columbia, mostra como toda a Civilização Ocidental nasceu e se desenvolveu apoiada nos valores e ensinamentos da Igreja Católica. Em concreto explica, entre muitas outras coisas:
Por que o milagre da ciência moderna e de uma filosofia que levou a razão à sua plenitude só puderam nascer sobre o solo da mentalidade católica;
= Como a Igreja criou uma instituição que mudou o mundo: a Universidade;
= Como ela nos deu uma arquitetura e umas artes plásticas de beleza incomparável;
= Como os filósofos escolásticos desenvolveram os conceitos básicos da economia moderna, que trouxe para o Ocidente uma riqueza sem precedentes;
= Como o nosso Direito, garantia da liberdade e da justiça, nasceu em ampla medida do Direito canônico;
= Como a Igreja criou praticamente todas as instituições de assistência que conhecemos, dos hospitais à previdência;
= Como humanizou a vida, ao insistir durante séculos nos direitos universais do ser humano - tanto dos cristão como dos pagãos - e na sacralidade de cada pessoa.
= Num momento em que se propaga uma imagem da Igreja como inimiga dos progressos da ciência e da técnica, e da liberdade do pensamento, este é um livro que desfaz preconceitos, corrige clichês e ensina inúmeras verdades teimosamente omitidas no ensino colegial e universitário.

Escrito por Pe. Henrique às 23h16
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Súplicas Àquele que veio como Luz
Caro Internauta, estes dias depois da Epifania do Senhor são de grande sentido espiritual e teológico. Cristo é celebrado na Liturgia como Luz que dissipa a treva humana: fazendo-se humano, como humano manifestando-se, redime e diviniza o humano. Até o Batismo do Senhor, Domingo próximo, a Liturgia Latina não se cansa de admirar, adorar e anunciar o Salvador que brilhou para toda a humanidade. Eis mais um texto litúrgico destes dias, dirigido ao Cristo-Senhor:
Vós, que assumindo a natureza humana vos tornastes para nós sacramento da divindade, fazei que, por meio da Igreja, vos reconheçamos no mistério da vossa Palavra e do vosso Corpo.
Criador do gênero humano, pela Virgem Imaculada vos fizestes homem entre os homens, concedei-nos, por intercessão de Maria, participar da vossa divindade para nossa salvação.
Redentor nosso, que descestes à terra como chuva sobre a relva, derramai em nossas almas a água viva que brota para a vida eterna.
A nós que celebramos nestes dias o início da vossa vida no mundo, fazei-nos chegar à maturidade do homem perfeito, segundo a imagem da vossa estatura em sua plenitude.
 Pintura do século XVI: os portugueses e os índios, no papel dos Magos, adoram o Menino
Escrito por Pe. Henrique às 23h04
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A luz da Igreja, esplendor da Luz de Cristo
Ainda as palavras de Bento XVI na Solenidade da Epifania do Senhor:
O senhorio universal de Cristo exercita-se de modo especial sobre a Igreja. Com efeito, na Carta aos Efésios se lê: "Tudo ele pôs debaixo de seus pés, e o pôs, acima de tudo, como Cabeça da Igreja, que é seu Corpo: a plenitude daquele que plenifica tudo em tudo" (Ef 1,22-23). A Epifania é a manifestação do Senhor e, como uma reflexo, a manifestação da Igreja, porque o Corpo não é separável da Cabeça.
A primeira leitura de hoje, tirada do chamado Terceiro Isaías, oferece-nos a perspectiva precisa para compreender a realidade da Igreja qual mistério de luz refletida: "Levanta-te, reveste-te de luz - diz o profeta dirigindo-se a Jerusalém - porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor" (Is 60,1).
A Igreja é humanidade iluminada, "batizada" na glória de Deus, isto é, no seu amor, na sua beleza, no seu senhorio. A Igreja sabe que a sua própria humanidade, com os seus limites e as suas misérias, põe em maior relevo a obra do Espírito Santo. Ela não pode vangloriar-se de nada a não ser do seu Senhor: não se dá a si mesma a luz, não é sua a glória. Mas, exatamente esta é a sua alegria, que ninguém poderá tirar-lhe: ser "sinal e instrumento" dAquele que é a "lumen gentium", luz dos povos.

Escrito por Pe. Henrique às 22h40
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Ante o Menino, a Igreja aodrante e suplicante
Eis, caro Internauta, mais um trechinho das orações da nossa Liturgia Latina, para este riquíssimo tempo do Natal. São eloquentes invocações Àquele que brilhou para nós como Luz salvadora:
Filho do Deus vivo, que existis antes da criação do mundo e viestes à terra para salvar a humanidade,
fazei de nós testemunhas fiéis do vosso Evangelho.
Sol de justiça, que fizestes brilhar sobre nós a luz eterna de Deus Pai e resplandeceis no mundo inteiro,
iluminai a todos os que vivem nas trevas da morte.
Vós, que vos fizestes criança, e fostes colocado num presépio,
renovai em nós a simplicidade das crianças.
Vós, que vos tornastes para nós o pão vivo que dá a vida eterna,
alegrai nossos corações pelo sacramento do vosso altar.
Sacerdote eterno, que viestes ao mundo para restaurar a plenitude do culto divino;
fazei que, por meio da Igreja, nele possam participar todas as gentes.
Médico das almas e dos corpos, que viestes visitar os que estavam enfermos,
curai e fortalecei todos os doentes.
Senhor, que encheis de alegria a santa Igreja com o mistério do vosso nascimento,
ajudai os pobres e compadecei-vos dos pecadores, para que todos participem das alegrias do Natal.
Rei poderoso, que destruístes os grilhões da antiga escravidão,
libertai os prisioneiros e confortai os encarcerados.
Vós que viestes ao mundo para abrir as portas do céu,
recebei na vossa glória os nossos irmãos falecidos.

Escrito por Pe. Henrique às 11h29
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No Cristo, a esperança
Ainda Bento XVI na Epifania do Senhor:
No Jesus terreno encontra-se o cume da criação e da história, mas no Cristo ressuscitado vai-se além: a passagem, através da morte, para a vida eterna antecipa o pondo da "recapitulação" de tudo em Cristo (cf. Ef 1,10).
Com efeito, todas as coisas - escreve o Apóstolo -, "foram criadas por meio dele e em vista dele" (Cl 1,16). E exatamente com a ressurreição dos mortos ele obteve "o primado sobre todas as coisas" (Cl 1,18).
Afirma-o o próprio Jesus aparecendo aos discípulos depois da ressurreição: "Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra" (Mt 28,18). Esta consciência sustenta o caminho da Igreja, Corpo de Cristo, nas estradas da história. Não há sombra, por quanto tenebrosa, que possa obscurecer a luz de Cristo.
Por isso, nos crentes em Cristo não falta jamais a esperança, também hoje, ante a grande crise social e econômica que ameaça a humanidade, ante o ódio e a violência destruidora que não cessa de ensanguentar muitas regiões da terra, ante o egoísmo e a pretensão do homem de erguer-se como deus de si mesmo, que conduz ainda agora a perigosos desrespeitos ao desígnio divino no que toca à vida e à dignidade do ser humano, à família e à harmonia da criação.
O nosso esforço de libertar a vida humana e o mundo dos venenos e poluições que poderiam destruir o presente e o futuro conserva o seu valor e o seu sentido mesmo que aparentemente não tenhamos sucesso e pareçamos impotentes diante da ação de forças hostis, porque é a grande esperança apoiada nas promessas de Deus que, nos momentos bons como nos maus, nos dá a coragem e orienta o nosso agir.

Escrito por Pe. Henrique às 11h17
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Cristo: o solo que dá sentido à sinfonia
Caro Internauta, eis outro trecho da homilia de hoje, do Santo Padre Bento XVI. É teologia pura; é poesia pura; é diálogo com a filosofia e a ciência, da melhor qualidade! Temos um Papa doutor da Igreja!
É o amor divino, encarnado em Cristo, a lei fundamental e universal da criação. E isto deve ser compreendido no sentido não poético, mas real. Assim compreendia o próprio Dante, quando, no verso sublime que conclui o Paraíso e a inteira Divina Comédia, define Deus como "o amor que move o sol e as outras estrelas".
Isto significa que as estrelas, os planetas, o universo inteiro não são governados por uma força cega, não obedecem às dinâmicas somente da matéria. Não são, portanto, os elementos cósmicos que são divinizados, mas ao contrário, em tudo e acima de tudo há uma vontade pessoal, o Espírito de Deus, que em Cristo se é revelado como Amor.
Se é assim, então, os homens - como escreve São Paulo aos Colossenses - não são escravos dos "elementos do cosmo" (cf. Cl 2,8), mas são livres, capazes de relacionar-se com a liberdade criadora de Deus. Ele está na origem de tudo e tudo governa não à maneira de um frio e anônimo motor, mas como Pai, Esposo, Amigo, Irmão, como Logos, "Palavra-Razão" que se uniu à nossa carne mortal uma vez para sempre e compartilhou a nossa condição, manifestando a superabundante potência da sua graça.
Há, portanto, no cristianismo, uma peculiar concepção cosmológica, que encontrou na filosofia e na teologia medievais altíssimas expressões. Ela, também na nossa época, dá sinais interessantes de uma nova floração, graças à paixão e à fé de não poucos cientistas, os quais, - nos passos de Galileu - não renunciam nem à razão nem à fé, valoriza ambas profundamente, na sua recíproca fecundidade.
O pensamento cristão compara o cosmo a um "livro" - assim afirmava o próprio Galileu -, considerando-o como a obra de um autor que se exprime mediante a "sinfonia" da criação. No interior desta sinfonia encontra-se, num certo sentido, aquilo que se diria em linguagem musical, um "solo", um tema confiado a um único instrumento ou a uma voz; e é tão importante que dele depende o significado da obra inteira.
Este "solo" é Jesus, a quem corresponde, precisamente, um sinal real: o aparecimento de uma nova estrela no firmamento. Jesus é comparado pelos antigos escritores cristãos a um novo sol. Segundo os atuais conhecimentos astrofísicos, nós deveríamos compará-lo a uma estrela ainda mais central, não só para o sistema solar, mas para o inteiro universo conhecido. Neste misterioso desígnio, ao mesmo tempo físico e metafísico, que levou ao aparecimento do ser humano como coroamento dos elementos criados, veio ao mundo Jesus: "nascido de mulher" (Gl 4,4), como escreve São Paulo. O Filho do homem resume em si a terra e o céu, a criação e o Criador, a carne e o Espírito. É o centro do cosmo e da história, porque nele se unem sem confundir-se o Autor e a sua obra.

Escrito por Pe. Henrique às 18h57
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Apareceu o Senhor dos astros
Ainda um trecho da homilia de Bento XVI:
Neste ano de 2009, que sendo IV centenátio das primeiras observações de Galileu Galilei ao telescópio, foi dedicado de modo especial à estronomia, não podemos não prestar particular atenção ao símbolo da estrela, tão importante na narrativa evangélica dos Magos (cf. Mt 2,1-12).
Eles eram, com toda probabilidade, astrônomos. Do seu ponto de observação, colocado a oriente em relação à Palestina, talvez na Mesopotâmia, tinham notado o aparecimento de um novo astro, e tinham interpretado este fenômeno celeste como anúncio do nascimento de um rei, precisamente, segundo as Sagradas Escrituras, do rei dos judeus (cf. Nm 24,17).
Os Padres da Igreja , neste singular episódio narrado por São Mateus, também uma espécie de "revolução" cosmológica, causada pelo ingresso do Filho de Deus no mudo. Por exemplo: São João Crisóstomo escreve: "Quando a estrela chegou sobre o Menino, parou, e isto somente uma potência que os astros não possuem poderia fazê-lo: primeiro, esconder-se, depois, aparecer novamente e, em fim, parar". São Gregório de Nazianzo afirma que o nascimento de Cristo imprimiu novas órbitas aos astros.
Isto deve ser compreendido claramente no sentido simbólico e teológico. Efetivamente, enquanto a teologia pagã divinizava os elementos e as forças do cosmo, a fé cristã, levando a cumprimento a revelação bíblica, contempla um único Deus, Criador e Senhor do inteiro universo.

Escrito por Pe. Henrique às 11h31
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As manifestações do Senhor
Caro Internauta, na Eeuropa, a Sagrada Epifania é celebrada no seu dia próprio, 6 de janeiro. Aqui está um trecho da homilia do Santo Padre, na missa há pouco celebrada no Vaticano...
A Epifania, a "manifestação" do nosso Senhor Jesus Cristo, é um mistério multiforme. A Tradição latina identifica-o com a visita dos Magos ao Menino Jesus em Belém e, portanto, interpreta-o, sobretudo, como revelação do Messias de Israel aos povos pagãos.
A Tradição oriental, ao invés, privilegia o momento do batismo de Jesus no rio Jordão, quando ele se manifestou como Filho Unigênito do Pai celeste, consagrado pelo Espírito Santo.
Mas, o Evangelho de João convida a considerar "epifania" também as núpcias de Caná, onde Jesus, transformando a água em vinho, "manifestou a sua glória e seus discípulos creram nele" (Jo 2,11).
E o que deveríamos dizer nós, caríssimos irmãos, especialmente nós, sacerdotes da nova aliança, que cada dia somos testemunhas e ministros da "epifania" de Jesus Cristo na santa Eucaristia? Todos os mistérios do Senhor a Igreja os celebra neste santíssimo e humilíssimo Sacramento, no qual ele, ao mesmo tempo, revela e esconde a sua glória. "Adoro te devote, latens Deitas" (Devotamente, nós te adoramos Divindade presente) - adorando, rezemos assim com São Tomás de Aquino.

Escrito por Pe. Henrique às 10h46
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O mistério do nascimento virginal
Caro Internauta, para você estes versos estupendos do Diácono Bizantino Romano, o Melódio. Ele exprime de modo poético, com lirismo incomparável, a fé da Igreja: o Verbo que se fez homem verdadeiro de uma Virgem antes, durante a após o parto:

Aquele que sem mãe, foi gerado pelo Pai antes da aurora, hoje, sem pai, tomou carne em ti sobre a terra; por isso, a estrela anuncia a boa-nova aos magos, e os anjos com os pastores cantam teu parto sem semente, ó Cheia de Graça!
A videira carregava nos braços, como se fossem ramos, o Cacho que dera sem socorro do vinhateiro, e dizia-lhe: "Ó meu Fruto, ó minha Vida, por ti, ó meu Deus, eu sei que permaneço o que era: o selo de minha virgindade está intacto; por isso eu te proclamo o Verbo imutável, feito carne! Não sei nada do nascimento, só sei que puseste fim à corrupção: Sou pura após teres saído de mim. Deixaste meu seio como o encontraste; guardaste-o salvo; por isso a criação toda regozija-se comigo, chamando-me Cheia de Graça!"
(Romano, o Melódio, séc. VI)

Escrito por Pe. Henrique às 01h34
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Mistério de fé!
O grande mistério da encarnação de Deus permanecerá sempre um mistério! (Observação minha: eis aqui uma convicção que a teologia atual do Ocidente deve readquirir: os mistérios da fé sempre ultrapassarão nossa pobre compreensão. Compreendemos de fato quando compreendemos com a mente e o coração iluminados pela luz divina, que é o Santo Espírito. E o lugar para chegar a tal compreensão não é primeiramente o simples estudo acadêmico, mas a contemplação, vivida no mistério da santa Liturgia e na busca sincera da oração e da vida segundo os preceitos divinos. Todo outro conhecimento seria pura e tola soberba humana, que não revelaria, mas esconderia o mistério).
Como pode o Verbo que está em pessoa e essencialmente na carne existir ao mesmo tempo em pessoa e essencialmente junto do Pai? Como pode o Verbo, totalmente em Deus por natureza, fazer-se totalmente homem por natureza, sem detrimento algum das duas naturezas, nem da divina, na qual é Deus nem da humana, na qual se fez homem? (Observação minha: Atenção, que São Máximo apresenta aqui a fé da Igreja! Em Cristo há uma só pessoa: a segunda da Trindade, uma pessoa divina, o Filho eterno, que é infinito, incircunscrito, onipresente, como somente pode ser o verdadeiro Deus. Ora, esta Pessoa divina, sem deixar sua natureza divina - que é a do Pai e do Espírito Santo - assumiu verdadeiramente a natureza humana, veio viver entre nós, mas não deixou o seio do Pai. A pessoa divina, infinita permaneceu junto ao Pai e veio realmente viver entre nós: na sua natureza divina, nunca deixou de reinar no céu; na sua natureza humana, choramingava no presépio; na sua natureza divina sempre foi imortal; na sua natureza humana, apavorou-se ante a morte e a experimentou com toda a dramaticidade que nós a experimentamos... Como diz a liturgia oriental: "Não se deu uma mudança de lugar, mas um doce abaixar-se do Filho ao nascer da Virgem". Aqui nos calamos, aqui renunciamos a tentar imaginar, aqui professamos a fé com simplicidade, alegria e gratidão a Deus, evitando perguntas indiscretas, que somente nos fariam perder o gosto de saborear tão grande e impenetrável realidade...).
Só a fé pode alcançar estes mistérios, ela que é precisamente a substância e o fundamento das realidades que ultrapassam toda inteligência e compreensão.
(São Máximo, o Confessor)

Escrito por Pe. Henrique às 01h13
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A Luz que leva à vida
Nasce o Cristo, Deus que se faz homem, assumindo um corpo dotado de uma alma racional, ele por quem tudo que existe saiu do nada. No Oriente brilha uma estrela visível em pleno dia e conduz os magos ao lugar onde está deitado o Verbo feito homem, para demonstrar misticamente que o Verbo, contido na lei e nos profetas, supera o conhecimento sensível e conduz as nações à plena luz do conhecimento.
Com efeito, a palavra da lei e dos profetas, entendida à luz da fé, é semelhante a uma estrela que conduz ao conhecimento do Verbo encarnado todos os que foram chamados pelo poder da graça, segundo o desígnio de Deus.
(São Máximo, o Confessor - séc. VII)

Escrito por Pe. Henrique às 00h40
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Credo da família
Caro Internauta, preparei para a Festa da Sagrada Família este pequeno credo, uma síntese do que é fé da Igreja de Cristo sobre a família, que agora partilho com você. Trata-se de valores e convicções irrenunciáveis para nós, católicos. Passam as modas do mundo; permanece a nossa fé, expressão da verdade do Cristo nosso Deus.
Cremos que a família foi instituída pelo Senhor Deus.
Cremos que a família cristã, fundada no sacramento do matrimônio, é sagrada e está acima das leis, dos caprichos e arbítrios humanos.
Cremos que o matrimônio, santificado por Cristo Jesus com um sacramento, é indissolúvel.
Cremos que cada família foi misteriosamente reunida pelo Senhor Deus para ser espaço de humanização, escola de amor e solidariedade e sinal da comunhão que vigora o seio da Trindade Santa.
Cremos que os pais receberam do próprio Deus a sua missão e dela prestarão contas um dia ao Senhor.
Cremos que os pais têm uma autoridade sagrada sobre os filhos e devem exercê-la com amor, firmeza, doçura, espírito de serviço e responsabilidade.
Cremos que os filhos devem piedoso respeito e veneração pelos pais durante toda a vida e devem honrar sua memória, mesmo após a morte.
Cremos que pais e filhos formam a Igreja doméstica, sinal vivo da única e santa Igreja de Cristo.
Cremos que os membros da família devem ser instrumentos de santificação uns para os outros.
Cremos que as dificuldades e crises da vida familiar, quando enfrentadas em união com Cristo, tornam-se cruz redentora, que leva sempre à ressurreição.
Cremos que o desígnio de Deus para a família é o fundamento de uma sociedade sadia e humana e que tal desígnio está acima de quaisquer diferenças culturais ou direitos reais ou presumidos de minorias, sejam elas quais forem.
Cremos firmemente e abertamente proclamamos que, no plano de Deus, família é tão somente um homem e uma mulher numa união estável e total, num amor aberto à vida efetivada nos filhos que Deus lhes confia por geração biológica ou afetiva.
Cremos que todo aquele que vive, respeita e defende este sonho de Deus para a família receberá a recompensa do Senhor, hoje e por toda a eternidade. Amém.

Escrito por Pe. Henrique às 22h11
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A Estrela do Menino
Do Sermões de Boussuet (1627-1704), Bispo de Meaux e grande pregador francês:

Que tinha esta estrela acima das outras, que anunciam no céu a glória de Deus? (cf. Sl 8,2). Que tinha ela a mais que as outras, para merecer ser chamada a estrela do Rei dos reis, do Cristo que acabara de nascer, para Lhe trazer os magos?
Balaão, profeta entre os pagãos, em Moab e na Arábia, tinha visto Jesus Cristo como uma estrela; e tinha dito: «Uma estrela sai de Jacó» (Nm 24,17). Esta estrela que aparece aos magos era a imagem daquele que Balaão tinha visto: e quem sabe se a profecia de Balaão não se tinha espalhado no Oriente?
Fosse como fosse, uma estrela que aparecesse apenas aos olhos não seria capaz de atrair os magos ao Rei recém-nascido: era preciso que a estrela de Jacó e a luz de Cristo nascessem em seus corações. Em presença do sinal que ela lhes deu exteriormente, Deus tocou-os interiormente, por esta inspiração da qual Jesus disse: «Ninguém pode vir a Mim se o Pai que Me enviou o não atrair» (Jo6, 44).
A estrela dos magos é, pois, a inspiração nos seus corações. Não sei o que brilha dentro de vós; estais nas trevas e nas distrações, ou talvez na corrupção do mundo; voltai-vos para o Oriente, onde nascem os astros; voltai-vos para Jesus Cristo, que está a Oriente, onde se levanta como um belo astro o amor à verdade e à virtude.
Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 12h22
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